Vocês não são máquinas
Recentemente, estive em uma respeitosa discussão acerca do filme "Ainda estou aqui", ao presenciar um crítico brasileiro incomodado com o fato de a obra ter dado, ainda que brevemente, tempo de tela para representar o militar que passa informações para Eunice Paiva quando presa, militar este que posteriormente expressa a sua contrariedade com o que estava acontecendo com ela, nada fazendo na prática para mudar a situação. O crítico acredita que os militares não mereciam esse aceno de humanidade, e que o tempo utilizado poderia ter sido aproveitado para explorar mais a luta pelos direitos índigenas da guerreira brasileira nas décadas posteriores. Respeitando a opinião do crítico e não tendo absolutamente nada contra a luta dos direitos indígenas, eu não poderia discordar mais. Para mim, não existe absolutamente nenhuma piedade em humanizar um grupo que cometeu atrocidades - pelo contrário, estar consciente que o sangue que escorre em suas mãos é profano e ainda assim cooperar ...