Sob o céu de Shibuya: as fofocas de Maria
Centro de Tóquio, tomando uma bebida peculiar no subsolo do Plaza Shibuya, um dos (raros) refúgios para um estrangeiro. Apoiada em uma mesa fina e alta de madeira, encontra-se Maria, uma atendente do estabelecimento, com seus olhos ocidentais e levemente caídos que denunciam a origem italiana. Em tom amigável, tento conversar, constatando a minha estranheza acerca do país nipônico que, apesar de nunca ter estado com o turismo tão em alta, ainda possui tanta dificuldade na comunicação com os visitantes. Com a pretensão de apenas jogar conversa fora, o que eu recebo de volta é algo além da minha expectativa. Com toda a dor social de uma estranha no país, que ali vive há anos e já superou a fase de encantamento com aquele local, um desabafo. Daqueles pouco profissionais, pontuando sobre como os seus vizinhos mais próximos a evitam por literal medo de interagir, sobre como é ser quase única em sua rua. Tudo isso com uma camada superficial de humor para lidar com a sua própria desgraça....
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