A Substância
Ontem, 02/11/2024, finalmente pude assistir o filme que mais tem dividido as pessoas neste ano, o longa da Coralie Fargeat. Porém, foi uma cena que não pertence ao filme que se tornou mais interessante para mim.
Do lado de fora da sessão, após a exibição, uma moça de aproximadamente 35 anos abraçou o seu companheiro e chorou, enquanto o homem a consolava dizendo "eu sei, eu também não estou bem". Senti um fascínio por tamanha reação, até uma ponta de inveja, pois há muito eu não consigo ser tão impressionável assim - e talvez quase ninguém esteja conseguindo mais.
Mais cedo nessa semana, uma pessoa próxima a mim, com mais de 25 anos de diferença, perguntou se eu havia visto uma colisão que ocorreu entre um patinete elétrico e uma motocicleta que resultou na morte do condutor do primeiro veículo, em uma rua não tão distante da minha. E sim, eu havia visto a morte dessa pessoa ocorrendo, ao abrir um jornaleco de instagram que postou o vídeo.
A relação entre a violência estampada no nosso consumo midiático do dia a dia e a indiferença que isso causa já é discutida há pelo menos 4 décadas, inicialmente com a televisão, e não pretendo fazer uma crítica batida ou superficial. É uma discussão que já perdeu completamente com a internet, que pode ser retomada milhões de vezes e parece nunca frear ou combater o sensacionalismo resultante da economia da atenção em que estamos imersos.
Dito tudo isso, não quero terminar este texto de forma pessimista, não sou do tipo que sofre pelo irremediável. Gostaria apenas de cristalizar o choque da moça e dizê-la, mesmo sabendo que nunca lerá este texto, o quão precioso é o que ela ainda tem.

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